A história dos videogames nos mostra muita majestade, sucessos e com certeza tem muitas medalhas para mostrar. Mas nenhum veterano de guerra tem tantas medalhas sem ter algumas boas cicatrizes de batalha a lembrar-lhe os momentos difíceis que passou em sua trajetória de conquistas, e estas “cicatrizes” para os games são os consoles que não obtiveram nada mais em suas curtas vidas que um fracasso retumbante.
Todos conhecemos, por exemplo, a longa e dramática história da SEGA quando sua derrocada começou no “SEGA CD”. Desde então ela foi colecionando tropeços (32X e Saturn) até o prego que fechou de vez o caixão: o promissor e insuficiente Dreamcast. E como todos de fato já sabemos bem das más escolhas que tiraram a empresa do ramo de consoles, eu deixei de fora desta lista de dez videogames-mal sucedidos seus aparelhos. A intenção é de irmos mais afundo neste tema e pararmos de ver somente na SEGA os problemas mais graves.
Que fique claro que os aparelhos aqui listados não estão sugiram por questão de gosto, mas sim pela notoriedade de seus respectivos fracassos de vendas e inevitáveis descontinuações a curto prazo. Vamos então dar uma olhadinha nos escolhidos:
Vectrex – Smith Engineering
Ano de lançamento: 1982
Promessa: em um só aparelho você tinha a tela de jogo, o videogame e o joystick
Tinha bom preço, era extremamente prático para sua época, tinha títulos até que bacanas à sua disposição... Então o que diabos deu errado?
O “timming” do lançamento – e nem foi culpa da fabricante. Ocorre simplesmente que o Vectrex chegou ao mercado pouco antes do infame “Crash dos videogames de 83”. As pessoas desistiram dos games, e grande culpa pode ser atribuída ao monte de jogos terríveis para Atari que enxameavam as prateleiras. Não deu tempo da plataforma se consolidar.
CD-i – Philips
Ano de lançamento: 1991
Promessa: trazer games que só podiam ser jogados em computadores para a tela da sua TV
O interessante do CD-i é que era para o aparelho ter sido um periférico para o SNES que aumentaria sua capacidade de processamento. Depois acabou virando console independente, e era vendido com esta promessa duvidosa acima (mas só fazia-se mesmo atrativo devido ao seu valor, que era menor que o de um PC equipado com um CD-ROM na época). A plataforma chegou até a receber títulos de Zelda e Mario, mas jamais decolou pois os games eram simplesmente péssimos e parcos. Isso sem contar nos joysticks que foram lançados para o sistema – segundo críticos, alguns dos PIORES já inventados para um videogame.
Jaguar - Atari
Ano de lançamento: 1993
Promessa: inovar total sendo o primeiro console de geração 64 bits
Este tinha tudo, TUDO, para ser um console que marcaria época. Mas a inabilidade das softhouses naqueles antigos tempos gamísticos em trabalhar com uma plataforma tão potente (e temos que relevar – o normal era criar-se games em cartuchos para 8 e 16 its) geraram carts muito abaixo do que poderíamos esperar de um poderoso 64 bits. Além de tudo, poucos títulos de fato chegaram a ser lançados – o que por sua vez diminuiu ainda mais a vida do console.
Nem o joystick ajudou, já que era ridículo com sua “calculadora” quase inútil a deixa-lo parecendo um trambolho.
3DO – The 3DO Company
Ano de lançamento: 1993
Promessa: foram muitas... Até na revista “Time” este infeliz console anunciou sua chegada
Bem como o Jaguar, o 3DO tinha potencial para tornar-se um grande console. Falhou pois não conseguiu grandes acordos com produtoras de games e não impressionou com os títulos lançados pela própria fabricante. Porém seu maior ponto negativo era o preço: para a época, podia-se dizer que era uma verdadeira fortuna – e que não valia a pena.
Aqui no Brasil chegou a fazer algum sucesso (os games podiam não ser muitos, mas impressionavam), mas o problema continuava a ser o astronômico valor da máquina. No fim, absolutamente nada salvou o 3DO de uma morte prematura.
LaserActive – Pioneer
Ano de lançamento: 1993
Promessa: ser karaokê e videogame potente, introduzindo um novo tipo de mídia
Logo de cara já pensávamos (e hoje ainda pensamos): “Meu Deus, isso é o que: um videogame ou um videocassete com dois CD-ROMs entulhados em cima?”
A visão do aparelho já não agradava: não se via trambolho parecido desde o Megazord formado por Mega Drive + SEGA CD + 32X. Fatores que pioraram de vez? Marketing furado (poucos sabiam que este monstrengo estava chegando ao mercado) e novamente o preço – uma pequena fortuna que devia ser investida sem que o comprador tivesse certeza do que estava levando.
Durou um ano antes de sumir como um ninja na calada da madrugada.
Mega Duck (Cougar Boy) – Cougar
Ano de lançamento: 1993
Promessa: desbancar o Game Boy da Nintendo
Tentar derrubar o Game Boy de seu trono cravejado em pedras preciosas era tarefa quase impossível – o Game Gear fez o que pôde com muito mais recursos à disposição que este humilde portátil da Cougar e nem chegou perto de realizar a façanha. Então falemos a verdade: que chances tinha uma plataforma chamada “Mega Duck” (para muitos o pior nome de videogame da história) de conseguir isso?
Ao menos o Cougar Boy (nome dado carinhosamente pelo público na tentativa de minimizar a desgraça que a fabricante fez) é hoje visto como um verdadeiro item raro de colecionador. E curiosamente a versão mais rara e valiosa do aparelho é que foi lançada aqui no Brasil.
Você tem um? Hora de ganhar uma graninha.
Pippin – Apple/Bandai
Ano de lançamento: 1995
Promessa: criar um computador com acesso à rede voltado unicamente aos games
Console equipado com nada menos que um processador PowerPC 603 e no Mac OS – isso nos idos de 1995. Tinha como ser um fracasso?
Mas é claro – bastava ser uma plataforma novata em um mercado dominado pelo Playstation, Nintendo 64 e Saturn. O precinho nada amigável deste console com nome de Hobbit também o ajudou a calçar os sapatos de concreto e pular no rio
Virtual Boy – Nintendo
Ano de lançamento: 1995
Promessa: levar você para a tão sonhada “Realidade Virtual”
Sim - a “Big N” também tem sujeira escondida debaixo do tapete. Mas o Virtual Boy é uma sujeira tão grande que qualquer um que passe por este tapete acaba tropeçando feio.
Como uma ideia tão boa pode ter sido concretizada de maneira tão ruim? É o que nos perguntamos quando vemos um console “portátil” no formato de um visor de realidade virtual (nos bons e velhos moldes noventistas – ENORMES) que não tinha como ser afixado diante de nossos olhos (contava com um tripé basicamente inútil) e com terríveis gráficos monocromáticos em tom vermelho-sangue.
Quem o jogou garante que a dor de cabeça surgia minutos após a jogatina começar.
N-Gage – Nokia
Ano de lançamento: 2003
Promessa: unir games de qualidade à telefone celular
Hoje isso parece nada mais que banal, mas para o seu tempo o N-Gage da Nokia era presunçoso e ambicioso: ser um celular para o público jovem ao mesmo tempo que era uma plataforma “otimizada” para games portáteis.
Porém ele jamais chegou a ser ameaça para os gigantes do mercado: pouquíssimos foram vendidos em função do preço alto e das péssimas críticas que eram divulgadas sobre o pequeno jamunço. Realmente, o N-Gage era bem ruinzinho quando o assunto eram os games – principalmente devido às suas teclas numéricas que não serviam como joystick.
Gizmondo – Tiger Telematics
Ano de lançamento: 2005
Promessa: unir game portátil à GPS e câmera digital
Mais um que não teve culpa de seu insucesso comercial. A empresa Tiger Telematics apostou alto para entrar no mercado de games portáteis com seu Gizmondo, que na verdade era uma boa plataforma de games e ainda unia funcionalidades bem bacanas para o seu tempo. Só não tentava a besteira de ser também telefone em uma época onde isso ainda não era possível de maneira coesa (viu N-Gage?).
O que assinou o atestado de óbito do Gizmondo foi ter sido lançado em meio ao reinado dividido por Nintendo DS e PSP – 11 meses foi tudo o que o pequenino aguentou antes de dizer adeus à todos.
Obrigado, POP Games